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Crédito privado isento de IR volta a pagar menos que título público; vale a pena?

Publicado em 10 de setembro de 2026

Os spreads de crédito dos títulos AAA incentivados tiveram leve subida em agosto, mas não cederam entre os papéis indexados ao CDI. E, nos primeiros dias de setembro, os spreads médios de debêntures incentivadas voltaram a recuar, passando a pagar 4 pontos-base a menos que o título público equivalente. Papéis como esse remuneram mais pela isenção de Imposto de Renda, mas podem ser uma armadilha para o investidor diante do cenário mais adverso para a classe.

A inadimplência do crédito livre a pessoas físicas está no maior patamar da série, o comprometimento das famílias com o pagamento de dívidas também recorde, e 7.980 companhias estão em recuperação judicial, segundo levantamento da consultoria RGF Bizdoc. Por isso, a percepção é que o juro pago por títulos de crédito privado não acompanha a piora nos indicadores de risco.

O movimento de queda nos spreads de incentivados aconteceu após uma semana de resgates líquidos de R$ 1,6 bilhão em fundos de crédito convencionais, que forçou gestores a realizar perdas, empurrando as taxas para baixo. Os spreads reagem também a compras compulsórias, pois fundos são obrigados a reinvestir juros e amortizações vindos dos níveis recordes de caixa, e precisam lidar com um estoque limitado de papéis.

No secundário, o volume negociado de debêntures somou R$ 65 bilhões em agosto, o menor nível desde março de 2025. No primário, o cenário é de esvaziamento para o crédito como um todo. A Sparta analisou seis ofertas primárias em agosto, somando R$ 4,9 bilhões, e escolheu não investir em nada, por preço ou por risco (nenhuma era de debênture incentivada). “Nas debêntures tradicionais, liquidez e fluxo ainda sustentam preços que consideramos apertados”, escreveu a gestora em carta a clientes.

 

Sem sinal de mellhora

A dinâmica preocupa porque as empresas ainda não têm sinal claro de melhora. A TAG Investimentos analisou os balanços de 44 companhias do Ibovespa no segundo trimestre e calculou que, excluídos bancos e Petrobras, a despesa financeira consumiu 6,6% de toda a receita do período, contra algo perto de 5% um ano antes. Para efeito de comparação, o varejo costuma operar com margem líquida abaixo de 5%.

Para a gestora, o número de empresas em dificuldade tende a continuar subindo mesmo com o novo corte da Selic esperado pelo mercado para a próxima semana. Isso porque, explica, a insolvência responde à taxa com cerca de 14 meses de defasagem, e 34 meses no agronegócio.

Uma das razões para temer uma recuperação mais demorada no crédito é a efetividade baixa da política monetária, defende a Riza Asset em relatório. Não por fraqueza, mas por ser estreita demais e não atingir todas as ofertas de crédito de maneira uniforme.

Pelos cálculos da gestora, menos de 19% do crédito livre às famílias responde de forma identificável à Selic. O restante está em linhas com taxas fixadas por norma, que não se movem quando a Selic se move. Do lado das famílias, a Riza estima que cerca de 59% da população dependa de emprego e crédito, e é essa faixa que absorve o essencial do aperto. Por isso, a casa conclui que cada ciclo exige juro mais alto e mais longo para entregar a mesma desinflação.

 

O que investidor deve fazer?

Dada essa dinâmica, os gestores seguem priorizando liquidez e seletividade, sobretudo nos papéis não incentivados, onde a leitura é de que há pouco espaço para melhora na relação entre retorno e risco.

Para o investidor pessoa física, a orientação é não ampliar exposição, e sim de escolher melhor o emissor e o preço. A XP, por exemplo, alerta para o risco de concentração, e recomenda evitar mais de 5% da carteira em um único emissor e mais de 20% no total em crédito privado, seja em alocação direta ou via fundos. Para setembro, a casa reduziu a fatia em crédito privado pós-fixado e aumentou a exposição a títulos prefixados.

 

Já o Santander avalia que o carrego segue interessante em ativos de boa qualidade, mesmo nos incentivados, desde que a remuneração compense o risco assumido – então é preciso garimpar. A casa considera essencial olhar estrutura, garantias e prazo de cada operação, e pondera que os spreads vinham em acomodação depois da abertura do primeiro semestre, mas que os eventos recentes com emissores podem ampliar a dispersão e reduzir a liquidez dos papéis de maior risco.

Fonte: Infomoney

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